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Documentário brasileiro sobre 1ª infância faz trailer em homenagem às mães

por Bibi Toledo / Publicado em quinta-feira, 07 maio 2015 21:16 PM / / 455 views
  • Reprodução/YouTube

    Documentário brasileiro sobre 1ª infância faz trailer em homenagem às mães

    Cena do documentário "1000 Dias", de Estela Renner, que estreia em março de 2016

Às vésperas do Dia das Mães, comemorado neste domingo (10), o documentário “1000 Dias”, da paulistana Estela Renner – com estreia prevista para março de 2016 –, divulgou um trailer com um recorte especial dedicado à maternidade. Desde que foi publicado, na segunda-feira (4), o vídeo já teve quase 200 mil visualizações no Facebook e no YouTube.

O filme gira em torno da primeira infância das crianças, com foco em seus primeiros mil e poucos dias (daí o título), que vão desde os nove meses de gestação até os 3 anos de idade. “A mãe é o primeiro exemplo de humanidade que a criança tem contato”, diz no vídeo o psiquiatra e escritor tcheco Stanislav Grof. O longa, que terá cerca de 1h30, trará depoimentos de mães, pais, médicos e especialistas como a neurocientista Patricia Kuhl, da Universidade de Washington, o prêmio Nobel de Economia no ano 2000, James Heckman, e a assessora para a primeira infância da Unicef, Pia Rebello Britto.

Divulgação

Documentário brasileiro sobre 1ª infância faz trailer em homenagem às mães

Cena do documentário "1000 Dias"

Documentário brasileiro sobre 1ª infância faz trailer em homenagem às mães O trailer em homenagem às mães, que mostra trechos de um dos capítulos do documentário, é falado em várias línguas: português, inglês, espanhol, francês e italiano. Segundo Estela, que também assina o roteiro – e já dirigiu o documentário “Muito Além do Peso” (2012), sobre a obesidade infantil –, a equipe gravou cenas em países como Brasil, Argentina, Canadá, Itália, China, Índia e Quênia. “Queremos mostrar a universalidade da nossa formação, que vai além do país ou da religião. As crianças se formam através das relações, numa combinação de genética, ambiente, pais, babás, professores, vizinhos”, enumera a diretora de 41 anos, que é mãe de três filhos (Marcos, 13, Lucas, 11, e Sienna, 8).

“Ser mãe mudou completamente a minha vida. No primeiro, que nasceu menos de um ano depois do casamento, eu estava morando nos Estados Unidos, não tinha babá, ajuda nenhuma, estava longe da família. Foi muito trabalhoso, mas foi incrível. Sempre quis muito ser mãe e ter uma família grande”, conta Estela.

“Acho que a maternidade é um papel grande, nobre. Conflitos fazem parte da vida, mas meus filhos sabem que são amados, respeitados, precisam de limites. E sempre terão para onde voltar, mesmo que se aventurem, tenham os próprios conflitos e frustrações”, completou a diretora, que matriculou seus dois primeiros bebês, aos 6 meses de idade, numa creche dentro do campus da universidade onde fazia mestrado.

“Algumas mulheres têm dúvidas [sobre ser mãe], querem fazer carreira antes. Mas, na minha opinião, não precisa esperar até ter uma carreira incrível. Claro que cada pessoa tem a sua verdade, mas para mim não ia funcionar escolher, o momento era aquele mesmo”, diz. “Não sou dona da verdade, fui mãe do jeito que consegui”, completa Estela.

A cineasta aponta que o capítulo dedicado às mães também deixa claro que esta é normalmente a fase mais difícil e prazerosa da vida de muitas mulheres, e que elas não nascem sabendo ser mães, amamentar ou identificar quando uma criança está com cólica. “Não é um mar de rosas. É um aprendizado, um processo de amadurecimento. Com o tempo, a convicência, a mulher ganha esse saber”, avalia. Além disso, “1000 Dias” revela as dificuldades que essas mulheres enfrentam para conciliar a maternidade com outras atribuições, e a falta de valorização que muitas delas sofrem.

Sobre os vários tipos de mãe existentes – adolescentes, idosas, solteiras, homossexuais –, Estela afirma que esse é um tema contemporâneo, mas acredita que no futuro ele soe “datado”. “Ainda existe tanta gente com preconceito, mas espero que isso nem seja mais pauta daqui a alguns anos, que as pessoas perguntem: ‘Qual é o problema nisso?’. O que importa é a criança ser amada, querida, ter um ambiente seguro”, acredita.

“O que queremos mostrar com o filme é que as crianças, desde a primeira infância, já são pessoas que merecem ser respeitadas, ouvidas, enxergadas, indepentemente de conseguirem se expressar com palavras. Elas precisam de atenção, colo, estímulos, segurança e amor”, enumera Estela. “Esse é um período muito importante, que de fato forma o ser humano. Os 3 primeiros anos são fundamentais, é como uma casa: se você não construir direito, não pode destruir tudo e recomeçar do zero. Não se pode implodir uma pessoa”, compara.

Novos trailers e série

O trailer dedicado às mães é o segundo divulgado pela produtora de “1000 Dias”, Maria Farinha Filmes. O primeiro, lançado em dezembro de 2014, traçou um panorama geral sobre o que é o longa e já teve quase 600 mil visualizações no Facebook e no YouTube.

O próximo deve ser sobre a paternidade e sair em agosto, perto do Dia dos Pais. Até o lançamento, em março do ano que vem, outros trailers (sobre a comunidade, avós, aprendizado, comportament) devem ser publicados na internet.

“Esse não é um produto pronto, mas uma ferramenta que faz parte de um grande movimento. São pílular para sensibilizar sobre o assunto, criar identificação”, diz a diretora, que também produziu outros documentários de “transformação social”, como ela define. Entre os filmes engajados que ela produziu, estão “Tarja Branca”, que estreou no cinema em junho de 2014, e “Território do Brincar”, que tem lançamento previsto mara o fim deste mês.

“‘Tarja Branca’ fala do espírito lúdico que falta no adulto atualmente. Com os avanços da tecnologia, a gente não se diverte mais, trabalha e produz cada vez mais, mas também aumentaram problemas como depressão pânico, o ser humano não está preenchido. Falamos sobre a convivência com o outro, consigo mesmo, a cultura popular brasileira como busca de identidade”, explica. “Já ‘Território do Brincar’, que vai abrir o festival Ciranda de Filmes, em SP, traz registros de dois anos de viagens pelo Brasil mostrando o brincar das crianças nesses espaços, a autonomia, criatividade e liderança delas”, completa.

A previsão é que o material extra de “1000 Dias” – cuja ideia foi concebida pelo Instituto Alana e pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, de São Paulo, e pela Fundação Bernard van Leer, da Holanda – também vire uma série de seis episódios com 44 minutos cada, divididos por temas (pais, mães, etc). “É muito cruel jogar fora esse material, é injusto com a humanidade. Não temos nada certo ainda, mas esperamos que isso seja veiculado em canal aberto”, afirma Estela.

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