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Matheus Nachtergaele viverá Zé do Caixão no canal Space

por Redação / Publicado em segunda-feira, 20 abr 2015 14:48 PM / / 1207 views
Com Nachtergaele, série mostrará cineasta por trás de Zé do Caixão
Matheus Nachtergaele é José Mojica Marins na série “Zé do Caixão”

Matheus Nachtergaele interpreta Mojica – com direito a barba e unhas postiças -, a atração deve estrear em setembro no canal pago Space. O projeto do diretor Vitor Mafra, que surgiu originalmente como um filme. Roteirizada por Mafra com André Barcinski, autor da biografia de Mojica, “Maldito”, a produção não conseguiu captar recursos e ficou engavetada até o surgimento da Lei da TV Paga, que passou a regular a quantidade mínima de conteúdos nacionais a serem exibidos pelos canais a cabo e deu uma nova esperança ao cineasta.

Segundo o cineasta, a intenção da série é retratar de forma humana a figura de Mojica, tão associada ao personagem que ele criou. “Nossa vontade, até como homenagem, é mostrar essa pessoa que é o Mojica, muito incrível, muito genial”, reflete Mafra. “Porque o Zé do Caixão acabou por um tempo. Ele teve seu auge e acabou virando uma subcelebridade. Isso que é o lado negro da história. Como esse personagem consumiu um cineasta genial. É a história que a gente esta contando: como esse personagem ficou tão popular e fez o Mojica deixar de fazer bons filmes. Ele foi traído pelo Zé do Caixão”.

Nachtergaele foi a escolha de Mafra para interpretar Mojica desde que o projeto ainda mirava o cinema – e embarcou de vez depois que o cineasta enviou para o ator um email com fotos que mostravam as semelhanças entre ele e Mojica.  Para se preparar para o papel, Nachtergaele fez a lição de casa – leu “Maldito”, assistiu filmes e entrevistas de Mojica, resgatou memórias que tinha do cineasta – e ainda se apoiou nos ensaios intensos que fez com Mafra e com o restante do elenco. O resultado impressiona – e Matheus tem se divertido com o trabalho.

“Eu vou seguindo a cada etapa essa pessoa, que no início é uma, e depois se funde com o Zé do Caixão. Isso é bem bonito de trabalhar”, afirmou o ator. “A gente para nos anos 1980, no auge de uma certa decadência dele, por causa da ditadura, fazendo pornochanchadas, e vendendo o personagem pra qualquer coisa: indo  a enterros como Zé do Caixão, cortando a unha no Gugu. Você diz ‘nossa, não combina com aquele cineasta do início’. Mas isso que é bonito, me parece. Ele viveu a vida dele. Tem sido maravilhoso”.

Seis episódios

A série terá seis episódios de 45 minutos, cada um girando em torno de um filme significativo de Mojica e da vida pessoal do cineasta na época. Os escolhidos foram “Sina do Aventureiro” (1958), “À Meia-Noite Levarei Sua Alma” (1963), “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver” (1966), “O Despertar da Besta” (1969), “Perversão” (1978) e “24 Horas de Sexo Explícito” (1985) – que inclusive tiveram cenas recriadas especialmente para a série.

“De início, nunca quis contar aquela saga emocional, desde que o cara nasce e ganha a primeira câmera. Nunca quis fazer essa coisa. Sempre quis contar a história do Zé do Caixão; como o Mojica fez e criou o Zé do Caixão. Então, eu começo um pouquinho antes, e aí mostro os anos áureos e a decadência do Zé do Caixão. A ideia dos filmes é justamente pra ter a liberdade de avançar bastante no tempo, não ficar numa cronologia tão linear e conseguir dar saltos”, explica Vitor Mafra.

Ao lado de Matheus no elenco estão Maria Helena Chira e Felipe Solari. Chira interpreta Dirce, personagem ficcional que representa as mulheres mais importantes que passaram na vida de Mojica. A principal inspiração foi a ex-mulher Nilcemar Leyart, que chegou a trabalhar como editora, maquiadora e figurinista de vários filmes do diretor. A personagem e seu relacionamento vão mudando gradualmente ao longo da série. “O Vitor me pediu isso de ela ser mais ingênua no começo, ser mais devota. Depois, ela vai se desenvolvendo, vai ficando mais mulher. Ele vai envelhecendo e ela vai ficando mais mulher. Ela começa bem novinha, com 22 anos. A vida dela é ele e a produtora. Depois, ela até tem relacionamento com o outro”.

Solari, de volta à atuação após ser VJ da MTV e repórter do “Legendários”, dá vida a outra pessoa importante na vida de Mojica, o amigo e produtor Mário Lima. “Era um cara muito animado, muito positivo com a vida, com os projetos. Só que ao mesmo tempo ele era um bruto, era o cara que acabava pegando todas as meninas, achando que isso ia ajudar eles a fazer o filme – ou a menina que ia financiar o filme, a menina que ia atuar. Ele era quase o Robin do Batman. Ele ia quebrar os galhos e ajudar o Mojica nas mutretas. Era ele quem fazia o trabalho mais braçal”.

Com Nachtergaele, série mostrará cineasta por trás de Zé do Caixão
Mojica visitou o set da série

José Mojica Marins e sua família tinham ciência do projeto desde que Vitor Mafra planejava fazer o filme. E o cineasta visitou o set de filmagens em uma ocasião, apesar da saúde debilitada por conta dos dois ataques cardíacos que sofreu em 2014 e que o deixaram internado por três meses.

“É uma pena que o Mojica esteja bem debilitado, mas não deixou de ser emocionante. Ele tinha tomado uns remédios fortes aquele dia, mas tudo o que eu mostrava pra ele – mostrei várias fotos – ele fazia um joinha pra mim. Ele está bem emocionado. E quando ele viu o Matheus vestido, ficou muito feliz”, contou o diretor Vitor Mafra.

Filha de Mojica, Liz Marins – também conhecida como Liz Vamp – chegou a acompanhar parte das gravações. E gostou do que viu. “Não fiquei muito tempo, mas gostei muito da produção que eu vi. Eles tinham feito o set de um dos filmes do meu pai fez, achei muito bem feito, até porque sou cineasta também. Parecia algo emprestado do filme”. Até a semelhança de Matheus com seu pai impressionou: “Eu estava virada para outro lado, o ouvi falando e pensei ‘uau, é meu pai’. E meu pai tem uma voz muito marcante. Não é fácil fazer algo, parecer com ele. E até uns trejeitos eu gostei. Vi pouco, mas fiquei com gostinho de quero mais”.

A atriz e cineasta espera que “Zé do Caixão” não caia no sensacionalismo ao tratar seu pai. “As pessoas ainda possuem uma necessidade de sensacionalizar algo que não precisa. Espero que não cometam essa falha”, diz ela, que ainda acredita que a série, mais do que apresentar a obra de seu pai ao público, possa ajudar a deixar o mercado mais aberto às produções de fantasia e horror: “A gente tem necessidade de coisas que expliquem  a carreira dele. Até porque ele é um ícone e isso pode inspirar as pessoas, no sistema de financiamento, para perderem o preconceito de investirem na área fantástica, principalmente o horror. muita empresa não gosta de associar o nome ao horror porque é uma coisa feia”.

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