TOPO

Dono de bistrô reduto de famosos tem de Gagliasso a Kelly Key no cardápio

por Redação / Publicado em terça-feira, 28 abr 2015 10:41 AM / / 784 views

7Com filas que chegam a se estender até de madrugada, o bistrô Paris 6, de São Paulo, virou sinônimo de badalação – e de lugar fácil para se encontrar os mais diversos tipos de celebridades. Artistas como Bruno Gagliasso, Paloma Bernardi e Mel Lisboa ou jogadores de futebol como Emerson Sheik e Neymar já passaram pelas mesas do restaurante, que tem como dono o empresário Isaac Azar, de 44 anos. Apaixonado por culinária, Isaac cresceu vendo a mãe cozinhar e juntou os interesses por gastronomia e cultura para criar um ambiente inspirado na efervescente Paris da década de 1920.

O sucesso do restaurante – que têm três ‘irmãos’, dois em São Paulo e um no Rio – se deve não só aos 200 pratos da casa, mas ao conjunto, acredita Isaac. “O cara não vem aqui só para comer um prato. Por mim – e é por isso que eu abri uma casa 24 horas –, se ele ficar no restaurante 24 horas, 30 horas, 36 horas, eu vou adorar. E já aconteceu: Maria Gadú já ficou mais de 24 horas no Paris 6. Eu tenho internet, eu tenho tudo para o cara poder ficar o tempo que for. Eu não vendo só comida”, afirmou o empresário à reportagem do Popzone.

No cardápio, a estrela da casa é o Grand Gateau à Paloma Bernardi. Só dele, são vendidas 30 mil unidades por mês. “A Paloma Bernardi falou que queria um doce que tivesse morango, leite condensado, chocolate. Aí eu peguei a inspiração dela e inventei. É uma das sobremesas mais vendidas do Brasil. Representa 50% de todas as minhas sobremesas. E olha que eu tenho mais de vinte, porque acredito na sobremesa”, afirma Isaac que, apesar de ter gosto por doces, evita comê-los por conta de sua intolerância à lactose.

Em uma rápida passada de olhos pelo cardápio, logo se nota que todos os outros pratos levam nomes de artistas: Há desde o gnocchi à Marina Ruy Barbosa ao pavê de chocolate branco à Kelly Key. Mas não é qualquer famoso que dá seu nome a um prato. É necessário ser cliente e fazer parte da vida do restaurante. “Eu só homenageio quem está relacionado ao Paris 6. Eu não tenho aqui, infelizmente, uma homenagem ao Paulo Autran. Porque seria hipócrita. Paulo Autran morreu, eu mal tinha aberto o Paris 6. Mas eu tenho uma homenagem sim a um cara que para mim era quase um pai, que era o Jair Rodrigues. E uma homenagem póstuma, porque eu fiz a sobremesa dele no dia em que ele morreu”, contou Isaac. Respeitando o desejo do cantor de ter uma sobremesa com chocolate escuro, o empresário criou o Grand Gateau Negro Rei enquanto voava do Rio a São Paulo para comparecer ao velório dele. “Ele era f***. Nos meus 40, 41 anos, eu fiz uma festa e ele tocou para mim de presente”.

Reinaldo Canato/Popzone

Dono de bistrô reduto de famosos tem de Gagliasso a Kelly Key no cardápio

O Paris 6 Vaudeville, também de Isaac, traz retratos de famosos pintados por Flávio Rossi

Dono de bistrô reduto de famosos tem de Gagliasso a Kelly Key no cardápio

Na hora de homenagear os artistas e apoiar seus projetos, Isaac não faz distinção por gêneros ou pelo tipo de arte. “Uma coisa é o que eu escuto, outra coisa é o que eu apoio. Eu não tenho preconceito se o cara é sertanejo, se o cara é country americano, se o cara é pagode, se é samba, é rock. Pode ser o que eu gosto, mas não é o que eu gosto que importa. Apoio a cultura. E muita gente se equivoca, mas a cultura não é qualitativa, não tem cultura que é boa ou ruim. A partir do momento em que há um movimento cultural, aquilo ali é um fato e é isso que eu apoio”. Mas o empresário dá preferência a quem já está consolidado no meio artístico: “A demanda é muito grande, mas eu apoio os que conseguiram seu espaço na cultura. Porque tem muita gente que passa de brincadeira.”

A relação de apoio de Isaac com as artes teve início em 2008, quando ele apoiou a peça “Um Certo Van Gogh”, estrelada por Bruno Gagliasso. Desde então, ele tem colaborado com várias peças teatrais, como a recente “A Fantástica Casa de Bonecas”, estrelada por Helena Ranaldi. Isaac libera vouchers para o elenco comer no Paris 6 e, em troca, recebe ingressos para sortear semanalmente na página do Paris 6 no Facebook, que tem mais de 430 mil curtidas.

O bom relacionamento de Isaac com a classe artística vem não só dos seus apoios, como de sua paixão pelas artes, acredita o empresário. “Eu falo com paixão, eu amo a arte. Quando você senta com o artista e ele vê essa reciprocidade, ele acaba se aproximando. É inevitável, me tornei amigo da Mel Lisboa, de tantos outros artistas. Com a Mel, às vezes a gente ficava até às 6h batendo papo. Eu, o Tripolli [fotógrafo], e o Miele, que é uma lenda viva, ficamos várias vezes até de madrugada. Eu me envolvo visceralmente com a classe artística”, explica ele, que pinta, escreve e é leitor voraz de livros de história – o atual é “Jerusalém – A Biografia”, de Simon Sebag-Montefiore.

Com tantos amigos famosos e fãs do restaurante, Isaac se tornou, como ele mesmo diz, “um grande RP [relações públicas]”.  “Vou pra Barcelona? Vou ver o Neymar, vou ver o Daniel Alves. Vou para a Inglaterra? Visita certa ao Paulinho [jogado do Tottenham]. Em qualquer lugar do mundo, eu vou ter alguém. Eu gosto de pessoas e elas acabam gostando de mim porque sempre lido com conteúdo”. Outro lado da faceta RP do restaurater é sua desenvoltura com as redes sociais do Paris 6, atualizadas por ele mesmo. Atualmente, o Instagram do restaurante tem 317 mil seguidores, superando grandes redes internacionais como Dunkin Donuts (283 mil), Herbalife (197 mil) e Pizza Hut (166 mil).

Em meio a tantos amigos e tantas atividades – ele se prepara para abrir uma filial em Miami ainda neste ano e ainda lançará um livro com 50 receitas – Isaac tem dado prioridade à família. Ele é casado com Carol Salvestrini, com quem tem duas meninas e um menino. “Hoje, a minha grande paixão é minha família, ficar perto das minhas filhas e do meu filho, que tem um ano. Nesse momento mais maduro, eu sinto muita necessidade de estar com eles. Por isso que eu tive que abrir mão de pintar, por exemplo. Mas a minha vida é uma loucura mesmo. Minha mulher é uma santa, ela vai direto para o céu, não tenho nem dúvida. Porque eu estou sentado aqui e aí decido que amanhã vou viajar pra Barcelona”, contou ele, que de fato embarcou para a cidade espanhola no dia seguinte à reportagem, para negociar a abertura de um Paris 6 em Ibiza durante o verão.

Divulgação/Instagram

Dono de bistrô reduto de famosos tem de Gagliasso a Kelly Key no cardápio

Isaac Azar e Emerson Sheik fingem selinho em foto de 2013

Dono de bistrô reduto de famosos tem de Gagliasso a Kelly Key no cardápio

Polêmicas

Se por um lado o Paris 6 está sempre cheio, por outro os críticos não compartilham do entusiasmo pela casa – que chegou até a ser eleita como o “pior restaurante de São Paulo” em levantamento feito em 2011 pela revista “Veja São Paulo”. Garantindo que cozinha para o público, Isaac não poupou críticas aos críticos profissionais. “Eu acho o seguinte: crítica especializada é sinônimo de profissional frustrado dentro de certa categoria. o cara que é um crítico profissional de teatro e faz isso para sobreviver, é porque não conseguiu ser um bom diretor, um bom ator. O cara que é um critico profissional em gastronomia, o cara que vem para detonar, é porque não conseguiu ter um bom restaurante”.

O restaurateur também nem sempre foi unanimidade nas redes sociais. Em 2013, ele e o jogador Emerson Sheik viraram alvo de críticas dos torcedores do Corinthians – time do coração de Isaac – quando Sheik compartilhou em seu Instagram uma foto em que os dois aparentavam estar dando um selinho. Na época, o deputado Marco Feliciano havia lançado o projeto para legalizar a “cura gay”, e os dois amigos viram na imagem uma forma de dois homens heterossexuais se posicionarem contra o preconceito.

“Em 1924, Adolf Hitler escreveu um livro intitulado ‘Mein Kampf’, [‘Minha Luta’, em português]. Nesse livro, ele já falava em uma solução final para questão judaica – ou seja, ele já falava no extermínio de milhões de judeus. E o mundo ficou quieto. Naquele momento do ‘Mein Kampf’, quem deveria se rebelar? A comunidade judaica? Não, os não-judeus. Muitos eram aqueles que falavam ‘eu também sou judeu. Vai matar o cara, vai me matar também’. Então na hora que o Feliciano veio com essa de cura gay… Vamos  lá, dois caras conhecidos e notoriamente não-gays, fazendo uma alusão a um ato gay”.

|

Comentários no Facebook