Toulouse premia documentário brasileiro sobre esquizofrenia e arte

A cineasta brasileira Letícia Simões conquistou nesta sexta-feira o prêmio de melhor documentário do Festival Cinelatino de Toulouse por "Tudo vai ficar da cor que você quiser".

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A cineasta brasileira Letícia Simões conquistou nesta sexta-feira o prêmio de melhor documentário do Festival Cinelatino de Toulouse por "Tudo vai ficar da cor que você quiser".

O júri reconheceu a "poética" de Simões ao "ponto de parecer estranha". Seu segundo filme narra, com estética punk, a vida do poera brasileiro Rodrigo de Souza Leão, que sofria de esquizofrenia.

"É um filme que tira o estigma da doença mental", destacou o jurado, para quem o documentário oferece uma reflexão entre a esquizofrenia e a criação.

A documentarista, emocionada, agradeceu pelo prêmio a toda a equipe com quem trabalhou. Antes da projeção de seu documentário, nesta quarta-feira, Simões explicou: "É um filme arriscado, mas espero que ainda haja um lugar para o risco". Suas expectativas de confirmaram.

O outro grande vencedor da noite foi o paraguaio Arami Ullón, que com o documentário "El tiempo nublado" (O tempo nublado), uma produção Paraguai-Suíça, obteve o prêmio SIGNIS, concedido pela Associação Católica Mundial para a Comunicação e o prêmio atribuído pelos estudantes do colégio agrícola Saint-Gaudens.

"El tiempo nublado" explica o retorno da documentarista ao seu Paraguai natal para cuidar da mãe epilética que também sofre de Alzheimer, ao mesmo tempo em que tenta construir sua própria vida.

"A realidade que o filme conta fala de muitos países latino-americanos e do meu Paraguai, que é um país quase invisível (…) Espero continuar mostrando meu país ao mundo", disse, durante a cerimônia de entrega.

Completam a lista de finalistas, entre os mais de 300 documentários inscritos, "A revolução do ano" (Brasil-Argentina), de Diogo Faggiano, "Campo de Jogo" (Brasil) de Eryk Rocha, "Después de Sarmiento" (Argentina) de Francisco Márquez, "El hombre nuevo" (Uruguai-Chile) de Aldo Garay e "La hora de la siesta" (México) de Carolina Platt.

Curta-metragem

Na categoria de curta-metragem, "Niño de Metal", do mexicano Pedro García Mejía, recebeu o prêmio "Courtoujours", enquanto o brasileiro Neco Tabosa conquistou o prêmio SIGNIS pelo curta "João Heleno dos Brito".

A primeira edição do prêmio de melhor curta revelação ficou com o filme "Completo", do colombiano Iván Gaona.

O Festival Cinelatino de Toulouse continuará no sábado com a entrega de prêmios ao melhor longa, disputados por 12 filmes.

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