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Jon Hamm diz ser grato a Don Drapper, que o salvou de desistir da carreira

por Redação / Publicado em quinta-feira, 26 mar 2015 12:11 PM / / 334 views

Jon Hamm diz ser grato a Don Drapper, que o salvou de desistir da carreira

Jon Hamm divulga última temporada de “Mad Men”

A menos de duas semanas da estreia da etapa final de “Mad Men”, Jon Hamm, astro da série no papel do brilhante, sedutor e complicado publicitário Don Draper, estourou na mídia norte-americana por um motivo bem diferente: o anúncio de que, esta semana, ele encerrara um tratamento de 30 dias numa clínica especializada, para por um ponto final em seu alcoolismo.  Os fãs da série imediatamente notaram a peculiar correlação entre ator e personagem – Draper é um bebedor notório, chegando muitas vezes ao fundo do poço em sua dependência do álcool.

Numa perfeita manhã de primavera na varanda de um hotel de luxo em Beverly Hills, um Jon Hamm saudável, bem disposto, de barba rala, paletó esporte de linho e jeans, recusou-se educadamente a abordar a questão: “Não fui eu que lancei o anúncio – eu não faria isso jamais, pelo seguinte motivo: trata-se de uma questão de saúde, da minha saúde e da minha vida pessoal. Não vou falar sobre isso. Este assunto fica entre mim e minha família, não é para consumo público. Só posso dizer que a vida joga um monte de coisas em cima da gente, e cada um lida com essas questões como pode. Eu sou muito sortudo de contar, sempre, com o apoio da minha família, em todas as horas. Foi assim durante minha carreira, e assim com todos os meus problemas.”

Estabelecida a zona proibida, Hamm falou animadamente sobre a série que mudou sua vida (palavras dele), como ele se sente despedindo-se de Don Draper e o que planeja daqui para frente.

Popzone: Jon, depois de sete anos sendo Don Draper, qual sua relação com ele?
Jon Hamm: Em primeiro lugar e acima de tudo, gratidão – a ele e a Matt Weiner [criador e produtor da série]. Eu tinha passado anos muitos difíceis tentando construir uma carreira em Los Angeles e, em vários momentos, estive muito perto de desistir de tudo. “Mad Men” apareceu para mim num desses momentos e mudou tudo.

Mas você acha que o conhece bem? Como você o definiria?
Ele é um homem que se inventou. E para fazer essa invenção valer, ele teve que desenvolver um sofisticado sistema de defesa. Ele acredita tanto no personagem que criou que não se permite mudar. Ele se agarra na noção que tem de si mesmo e vai em frente. No primeiro episódio desta temporada, no aeroporto, você vê bem isso: o aeroporto todo decorado em cores berrantes, laranja e verde e roxo, cheio de hippies, hare krishnas, cabelos por todo lado, e lá vai Don Draper de terno, cabelo bem penteado, essencialmente o mesmo homem que vimos na primeira temporada, em 1960.

Dez anos se passaram no mundo durante as sete temporadas, e a série acompanhou isso tudo de perto.  Como Don Draper atravessou esses anos todos?
Os letreiros de apresentação já indicam qual a jornada dele: um homem caindo de um prédio. Para a morte? Para um abismo? Não importa. A história de Don Draper é a história de uma queda, a história de um homem cujo mundo está se desintegrando. Nas duas primeiras temporadas ele está por cima, acredita ser invencível, imune a tudo. Na quinta e na sexta, ele chega ao fundo do poço, e agora só lhe resta subir de novo. Voltar para casa, de algum modo. É o destino de todos nós.

Agora que você se despediu dele, o que deseja para Don Draper?
Espero que ele ache paz, de alguma forma. Ele construiu o edifício de sua vida sobre alicerces fracos. É muito trabalho consertar esses alicerces. Ele foi uma pessoa que voou longe, e eu tive a sorte de interpretá-lo.

Don Draper é seu personagem favorito de “Mad Men”?
Gosto dele por motivos pessoais, mas acho a jornada de Peter Campbell (Vincent Kartheiser) mais fascinante. Eis um cara que, no primeiro episodio, levou um pito e ouviu que, se ele não tomasse jeito, ia ser um homem muito rico e muito solitário. Todos os erros e tentativas que ele fez para corrigir isso são fascinantes. E admiro muito o trabalho de Vincent.

Como você se sentiu depois de gravar o último episódio?
Muitas emoções ao mesmo tempo. Uma sensação doce e amarga. E ainda vou passar por isso de novo, quando o último episódio for ao ar… Fica também uma grande alegria de ter deixado, junto com todos os meus colegas, um legado importante para a TV.

Você guardou alguma lembrança?
Eu queria um dos carros, mas isso ia ser meio difícil… Pedi para ficar com um objeto do cenário da agência, a placa “THINK” que estava na sala dos computadores e era uma réplica da placa que a IBM instalava em todas as empresas que adquiriam suas máquinas, um modo de lembrar às pessoas a importância de pensar, o fato de que o computador estava ali só como uma ferramenta. E Matt me deu uma cadeira do cenário da sala do apartamento de Don. Não é a cadeira mais confortável do mundo, mas é linda.

Você vê TV? Do que você gosta?
Fiquei muito feliz em saber que vão fazer uma nova temporada de “Arquivo X”. Espero ansiosamente. Sou um super fã. Espero ansiosamente pelo segundo ano de “Fargo”, também. Eles fizeram um trabalho incrível de algo que todo mundo achava impossível de ser adaptado. Confesso: queria trabalhar nela. Quero ver “Bloodline”, a nova série da Netflix. E “Better Call Saul” é uma revelação.

O que você quer fazer agora?
Descansar. Curtir minha família. Passear com meu cachorro, ele está super feliz de me ter em casa tanto tempo. Não tenho planos específicos. Quero trabalhar com bons talentos. E o talento mais interessante hoje está na tela pequena, que pode ser chamada de TV, streaming, não importa, é um admirável mundo novo. Tudo é possível. Se for algo empolgante pra mim, e me der vontade de sair da cama de manhã, então é o que eu quero fazer. Mas quero viajar também. Agora tenho tempo de ir a hemisférios que não conheço. Adoraria ir ao Brasil.

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