Chacrinha não gostava de puxa-saco, afirma a ex-jurada Elke Maravilha

Entrevista – Elke Maravilha, jurada. 'Tudo era um improviso organizado'O que achou do musical?

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elke-maravilha-comissarioO que achou do musical?

Assisti três vezes e chorei copiosamente. Foi a primeira vez que fizeram um espetáculo decente sobre o Chacrinha, sem parecer uma caricatura. Ao contrário, ali vemos toda a genialidade dele, dentro e fora do palco.

Ele era realmente estressado fora de cena?

Sim, a vida dele era o programa. Chacrinha comia e dormia pensando no trabalho. Era um obstinado e via tudo o que acontecia em cena.

Como assim?

Às vezes, em alguns programas, eu me distraía com a plateia ou com algum convidado. Quando chegava o intervalo comercial, ele se voltava para mim e dizia: "Elke Maravilha (ele só me chamava pelo nome completo), você está dormindo?" Eu adorava.

Havia muito improviso ou tudo era bem marcado?

Muito improviso, embora ele fosse muito certinho. Digamos que dominava um improviso organizado (risos). Mas, quando ele me olhava de um jeito que só eu sabia, tinha certeza que se perdera, não sabia bem o que fazer.

E o que acontecia?

Ele gritava "Teresinha!" para o auditório ou puxava alguma música. Aliás, ele não decorava nenhuma letra, nem as mais conhecidas. Era comum ele começar (cantando): "Maria Sapatão, Sapatão, Sapatão…", aí ele não sabia mais e ficava soltando grunhidos.

Chacrinha não gostava do que?

De puxa-saco, especialmente quando era um político. Quando era obrigado a receber algum, que começava a elogiá-lo, ele dizia para o auditório: "o cordão dos puxa-sacos cada vez aumenta mais". E, se o cara não parava, Chacrinha me chamava pra eu encher o cidadão de beijos, deixando o rosto todo vermelho. Aí ele ia embora, envergonhado.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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