Imagine Dragons, Glen Campbell e Bob Marley estão nos “Lançamentos da Semana”

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Imagine DragonsSmoke + Mirrors

Imagine Dragons
Smoke + Mirrors

Ao unir o rock de tinturas épicas de bandas como o Coldplay com muita percussão e juntar instrumentos eletrônicos e elétricos, o Imagine Dragons encontrou a fórmula do sucesso, especialmente por criar um som que agrada fãs das vertentes mais populares do pop e rock.

Night Visions“, a estreia do quarteto, ganhou vários álbuns de platina e ouro e levou a banda de Las Vegas para estádios e arenas ao redor do globo. Agora é chegada a hora do temível segundo disco, aquele onde o futuro de um artista, especialmente os que fazem muito sucesso logo de cara, começa a se definir.

Imagine Dragons

Em “Smoke + Mirrors“, o grupo do vocalista Dan Reynolds não buscou se reinventar ou criar um trabalho que fosse afastar os fãs já conquistados. Ainda assim, nota-se uma sensível melhora nos arranjos e composições e a entrada de novos elementos ao som que os popularizou – aqui também merece citação o trabalho de Alex da Kid, novamente na cadeira de produtor.

Dessa forma, o que se ouve é um aperfeiçoamento das ideias já presentes no primeiro disco, mais do que mera repetição.

Tratado como grande prioridade pela gravadora, o álbum deverá repetir, ou mesmo suplantar, o sucesso do disco de estreia e sua estreia nos postos mais altos das principais paradas do planeta é inevitável. Se você já era fã pode comprar sem medo.

Ouça “Shots” com o Imagine Dragons presente no álbum “Smoke + Mirrors


Glen CampbellI’ll Be Me

Glen Campbell
I’ll Be Me

Verdadeira lenda da música americana, especialmente, mas não só, no universo do country, a carreira de Glen Campbell atravessa sete décadas, tendo se iniciado no final dos anos 50 e atingindo seu ápice nas duas décadas seguintes.

Campbell está com 78 anos e em 2011 foi diagnosticado com o mal de Alzheimer. Ele então gravou o lindíssimo “Ghost on the Canvas” e saiu em uma turnê de despedida. O diretor James Keach seguiu o cantor com sua equipe e captou momentos da vida particular de Campbell nesse momento pra lá de difícil.

Dessas filmagens nasceu o elogiado “I’ll Be Me”, que está colhendo elogios por onde passa. Ano passado, um EP com cinco faixas foi lançado como sua trilha sonora. Agora, cinco canções foram acrescidas e ele se tornou um álbum.

Glen Campbell

A maior razão para esse “upgrade” está no fato do bom desempenho do filme, e de sua trilha, na chamada temporada de prêmios. A versão que a The Band Perry fez para “Gentle On My Mind” ganhou o Grammy de melhor performance de música country em grupo no último dia 8 e “I’m Not Gonna Miss You” – a gravação final do cantor, ganhou como melhor canção country.

Essa última também foi indicada ao Oscar de melhor canção original e tem chances de vitória nesse domingo- ainda que “Glory (Feat. Common)” de “Selma” seja a favorita.

Por outro lado, como Julianne Moore deve levar a estatueta de melhor atriz por retratar uma pessoa que sofre com Alzheimer, seria bonito se a academia premiasse um artista que sofre realmente com o mesmo mal – até porque a música de Campbell também é excelente.

Glen Campbell
O cantor nos anos 60

Voltando à trilha do filme, ela traz duas versões tanto da música indicada ao Oscar quanto da faixa da Band Perry, duas canções interpretadas pela filha do cantor Ashley Campbell, duas faixas inéditas e, finalmente, duas canções gravadas ao vivo, incluindo uma versão excelente de “Wichita Lineman“, a canção de Jimmy Webb que ele imortalizou.

o resultado desse compilado é um bom disco, com momentos realmente brilhantes que funcionam como porta de entrada para o rico universo de Glen Campbell.

Ouça, e se gostar, corra atrás de ao menos uma boa coletânea e de alguns de seus álbuns de estúdio – os gravados com Bobbie Gentry e Jimmy Webb em particular valem muito a pena.

Ouça “I’m Not Gonna Miss You” com Glen Campbell da trilha sonora de “I’ll Be Me


Bob MarleyEasy Skanking In Boston ’78

Bob Marley
Easy Skanking In Boston ’78

Esse é o primeiro lançamento que chega às lojas para marcar aquele que seria o septuagésimo aniversário de Marley. Até o final do ano mais material de arquivo do rei do reggae em áudio e vídeo deverão ser disponibilizados.

Esse álbum a princípio pode parecer meio desnecessário, já que registros dessa mesma turnê já foram lançados em CD. Felizmente, uma rápida ouvida no disco para ver que esse “Easy Skanking…” está longe de ser um mero caça-níqueis.

Bob Marley

Ok, ele pode não ter o peso histórico de “Live!” de 1975 e o documento ao vivo definitivo do músico, mas ainda assim ele ajuda a explicar o porquê de Marley ter se tornado uma figura mitológica.

O domínio que ele demonstra do palco é absurdo e as performances aqui ouvidas são daquelas que mostram que as estrelas do século 21 precisam penar muito ainda para chegar perto dele.

Bob Marley

Claro que contar com uma banda matadora também ajudava nessa tarefa assim como um catálogo de músicas de primeira. O repertório deste disco é ótimo. Ele mistura vários cavalos de batalha – “I Shot The Sheriff“, “No Woman No Cry“, “Get Up Stand Up” – a faixas mais obscuras ou menos óbvias.

O álbum também mostra como o cantor estava cada vez mais próximo de conquistar de vez o mercado americano – coisa que ele nunca conseguiu em vida – ele morreu em 1980.

Destacar uma faixa aqui é tarefa inútil e difícil – melhor mesmo é ouvi-lo na íntegra. Mas quem quiser ficar arrepiado imediatamente basta ouvir as duas faixas finais do CD.

O momento em que “Get Up Stand Up” vai se transformando em uma poderosíssima versão de “Exodus” é digno de entrar para a história.

Easy Skanking…” está saindo como um disco duplo com um DVD (ou Blu-ray) de bônus com trechos da apresentação. Infelizmente apenas sete das treze músicas do show foram registradas de forma amadora. Ainda assim o registro é precioso.

Ouça “War” com Bob Marley na versão presente em “Easy Skanking In Boston ’78

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